31 março 2015
27 março 2015
Artigo publicado na Revista Escrita (PUC-RJ). Espero que leiam! Volume 19 - No sumário, você encontra o texto.
14 junho 2014
O blá blá blá da Copa
Outro dia comentei com um amigo
que não postaria mais textos em redes sociais. Estou convencido de que é
necessário continuar, apesar de que, se eles servem como indiretas,
infelizmente, devido a seu tamanho, quem os "merece" nem sempre os
lê. O fato é que não suportei e vou dizer o que acho da Copa e dos
acontecimentos que, por três dias, vi estampados em forma de textos (escritos e
visuais) e que, muitas vezes, apresentaram ideias estereotipadas, e o pior: sem
visão crítica e apurada desses fatos, mas (apenas!) com um reforço contundente
de compartilhamentos de ideias (clichês?) nas redes sociais. Primeiramente, é
importante validar que cada um tem o direito de expor o que quiser, é fato. Mas,
antes, seria necessário entender que o acontecimento Copa não é exclusivo de
uma decisão da Dilma, do PT etc. Existem outros poderes no Brasil que, sustentados
por votos provenientes de vários representantes de outros partidos, decidem tais
questões. Esclareço, para tal, que sou apartidário e também que não estou
fazendo campanha para a Dilma. Só acho indecente, por exemplo, que as pessoas nutram
fundamentos dos quais elas verdadeiramente não têm conhecimento e tampouco desejo
pleno de acesso a ele. Uma boa ilustração para esse exemplo são os vaias à
Dilma no Estádio na Abertura da Copa. De onde eles partiram? Seria interessante
começarmos a analisar que eles foram berrados por uma "elite" que,
diga-se de passagem, não me representa, por única justificativa: a manifestação
grossa e mal educada desse público, que pagou 990,00 por um lugar em
arquibancada de um Estádio em plena quinta-feira ou, então, que, no mínimo, foi
VIP, como ocorreu com o elenco da Globo, não fundamenta o sentido histórico e
totalizante de seu alarde naquele local e sua produção simbólica por parte daquelas
pessoas. Por outro lado, particularmente acredito que as manifestações sociais,
fora do Estádio e paralelas à realização da cerimônia, não precisam ser produzidas
no atual momento. Dois motivos: porque o holofote do mundo está no Brasil com a
World Cup 2014 e porque o evento está
e continuará a acontecer independentemente do alarde das reivindicações sociais
concomitantes. Que deixemos de engrossar o caldo produzido pela imprensa exterior
de que, no Brasil, as coisas não funcionam ou funcionam com o “jeitinho
brasileiro”. Até mesmo porque, no interior do Brasil, esse senso de pessimismo
a tudo que é relativo ao Brasil já é bastante legitimado por brasileirinhos que
desconhecem que, em outros (muitos!) lugares do mundo, coisas semelhantes
também acontecem. No atual momento, também é essencial respeitar quem gosta de
Copa e quem não gosta de Copa, quem vai se vestir de verde e/ou amarelo, e quem
vai se vestir de preto. Porque muitos também estão de luto por saber da
necessidade de uma transformação política que incida diretamente em vários
setores de nosso país: saúde, educação, segurança etc. Toda essa consciência
parte de uma concepção cidadã e de um eleitor decente e bem articulado. Talvez
fosse melhor que nosso próximo grito de manifestação seja validado nas urnas em
outubro, mas por uma massa de eleitores que não se cansa de averiguar processualmente
os fatos, para, depois, se posicionar. Aliás, é exatamente isso que está
faltando em nosso mundo globalizado, em que o acesso à informação (falsa ou
não!) existe, mas a forma de cuidar desse conhecimento obtido inexiste. Ou
seja, a informação vem, e o leitor (de Internet ou de face!), a partir dela, não
se impulsiona a novas leituras para averiguação do fato lido. Em pleno
comodismo, tal qual o de se sentar na cadeira almofadada em frente à tela, apenas
ingere a informação e a reproduz adiante num efeito de bola de neve. Isso pode
caracterizar uma espécie de alienação e, daí, sabe o que acontece, né?! Se essa
for uma mentira proclamada, a perspectiva é de que “essa mentira dita (e agora
no mundo moderno “compartilhada pelo face”) cem vezes passará a ser uma verdade”.
Que aprendamos a problematizar os discursos, sendo cidadãos autônomos e
usuários conscientes das ideologias que produzimos em rede.
29 abril 2013
Você pode escolher não ser professor.
Outro dia algumas pessoas me olharam torto
depois de uma bela sugestão dada a um aluno de licenciatura do terceiro ano de
um curso de minha cidade. Sim, ele havia postado em seu facebook o descontentamento em descobrir, em plena metade do curso
de formação docente, que não era “isso que ele queria” para sua vida. Não perdi
a oportunidade e lhe disse que ainda estava em tempo a desistência e a procura
por outro curso do qual ele se agradasse mais. Percebi que não houve respostas
de sua parte, tampouco “curtidas” em relação à minha postagem. Entendo bem o
silenciamento dele e os discursos de outros comentadores que prosseguiram em
aconselhá-lo para terminar o curso, mesmo que ele não se simpatizasse por
aquela graduação. Refleti. Fiquei curioso para saber as motivações de algumas
daquelas pessoas para estimular aquele licenciando a insistir na frustração de
persistir em algo que ele próprio rejeita. Continuei a ler os comentários e
houve um que me inculcou ainda mais: o produzido por uma recém-egressa de outro
curso de licenciatura em que, de forma defensiva, construíra seus argumentos em
favor do rapaz e com base em sua experiência efetivada no processo de formação
docente. Disse em mau português: “[...] esse estágio é só teoria e enjoo (acredito
que o complemento aqui é destinado aos professores orientadores de Estágio). Na
prática não acontece nada do que os professores pedem e exigem para que seja
feito”... Concordo em partes, mas isso é outro assunto. Concordo, mas não
porque o texto agora é meu! Eu aconselhei o aluno a desistir do curso por um simples
fato: não quero que aconteça no futuro, para o bem da qualidade de educação de nossos
filhos, que ele venha exercer uma profissão pela qual ele não se simpatize.
Porque nunca se sabe o que pode acontecer num mundo capitalista como este em
que vivemos. Vai que, em um belo dia, ele acorde desempregado ou mesmo
insatisfeito com sua outra profissão e, em busca de uma renda boa, resolva
fazer um concurso público docente pensando na tranquilidade de uma carreira
pública e estável. Sim, digo renda boa, porque, por mais que reforcemos que o
professor não ganha bem, ele, ainda sim, ganha muito melhor do que muitos
outros profissionais em nosso contexto. Inclusive conheço algumas dúzias de
pessoas que abandonaram outra carreira para assumir a sala de aula. Todavia não
sei se era por pura paixão pela arte docente, pelo desejo cidadão de mudança
social ou pela garantia de um plano de saúde ou de uma futura aposentadoria. Afinal,
vale tudo nesse mundo. E qual seria o valor do professor nesse mundo?! Talvez
sendo triplicada a carga horária da profissão docente, em três turnos, some-se
um bom valor. Talvez aliando a docência à outra profissão seja uma forma de se
obter um bom orçamento. O curioso é que um futuro professor, outro dia, me
disse (e eu registrei em pesquisa!) que ele pretende conciliar a docência com
seu outro afazer para somar capital. Claro que essas são apenas ilustrações
comuns. Contudo, gostaria de refletir até que ponto o professor pode ser um bom
profissional pensando na docência como um modo de fazer “bico”? De outro ponto
de vista, como o professor pode ser um bom profissional se hoje, em nosso
contexto, ele é descartado pelo Estado no prazo de um ano sob um contrato em
que se paga uma merreca? Compreendi que, desse jeito, não vale muito. Aliás,
nem vale a pena! Não obstante, durante todos esses anos, na condição de
formador de professores, sempre vejo cenas de comodismo e de descaso de alguns professores que estão na escola apenas para
cumprir seus últimos anos para se aposentar ou para pedir uma licença prêmio
(olha o nome da recompensa!) etc. Nessa hora, tenho pena dos alunos em ter de
suportar um professor desses em sala de aula. Se, como dizem as teorias, a
identidade docente é também (des)construída ao longo da observação de
aprendizagem (LORTIE, 2002), ou seja, o aluno, na condição de aprendiz, observa
modelos sobre como “ser ou não ser professor” a partir da atuação que ele observa
de seu mestre na profissão, imagine que concepção tal pupilo pode construir
acerca do professor que está ministrando aula desmotivado, não gostando do que
faz ou esperando apenas o dinheiro entrar em sua conta no fim do mês? Não
esqueçamos que a profissão docente, diferentemente de muitas outras, é
interativa. Não mexemos com papéis ou peças inanimadas, nossas relações sociais
preveem o ser humano que, em todo momento, (re)age conforme nossas respostas e
(atu)ações socioculturais e, por tabela, constitui-se e nos constitui via
língua(gem). Daí, entendemos porque não devemos maldizer a nossa profissão em
sala de aula. Entendemos os resultados de um estudo implementado em mais de
1500 escolas do país em que se observou que apenas 2% de alunos de ensino médio
desejam ser professores. Ou seria muito ingênuo perceber que, pelo menos, parte
das equivocadas concepções, ou melhor, parte do estado ruim generalizado pelo
imaginário social atual acerca da carreira profissional do professor não contém
resquícios representativos dessas condições e significações produzidas? Seja
isso pelo que se faz ou pelo que se fala. Tenho trabalhado com dados que me
levam a crer que muitos professores em formação não querem ser professores, mas
caso haja um concurso público para a área, com toda certeza, todos os
pesquisados fariam. Daí, questiono o que essa atitude pode produzir em termos
de qualidade educacional, de construção do imaginário social da profissão, de
proposta emancipadora aos nossos alunos. Desculpem-me, mas, entremeio às ações
desses tipos de professores (aqueles que querem formar o seu pé-de-meia e não o
aluno) quase só vejo elementos capitalistas neoliberais previstos em uma
sociedade mercadológica, por sua vez, preocupada com contas e números. E isso
não é um tipo de valor que minha profissão me permite acreditar que seja o
ponto fundamental. Mais ainda: não é uma perspectiva que construo com meus
alunos, futuros professores em formação inicial. Para mim, nesse caso, vale o
consenso de que a qualidade nunca poderá ser medida em termos de quantidade.
13 novembro 2012
Um pouco de política após eleições
Em se tratando do assunto política, na condição de cidadão,
professor universitário, minhas reflexões convergem para alguns aspectos voltados à crítica por parte do eleitorado. Falo de
nossos deveres cidadãos de: * fazer política o ano todo, fiscalizando e
cobrando o que foi prometido, e não deixando apenas para a véspera de eleições.
Vamos abandonar o discurso da memória curta?!; * desvencilhar de uma vez da
ideia de que política não presta, pois é justamente com essa ideia que nosso
senso positivo se desespera, perde, torna-se desinteressado e, com isso, abre
espaço para os escândalos que temos ouvido falar, lido. Votar sempre é
necessário, mesmo que nulo/branco. Sim! Apesar de, nessas eleições, não votar
nulo/branco, eu defendo esses tipos de voto. A princípio pode parecer uma fuga, mas, hoje,
entendo que ele pode ser uma voz satisfeita dizendo: “não vou votar em ninguém,
porque nenhum dos que são candidatos merece meu voto”. E essa voz faz sentido
se, na prática, numa perspectiva bem utópica de eleitor , ele imagina que seu
protesto valerá o seguinte argumento: “voto nulo/branco por protesto, porque se
todos fizerem igual a mim, teremos que fazer uma nova eleição, dessa vez, com
outros candidatos”. Praticamente impossível isso acontecer, mas imagina que
bafo seria a consciência de alguém se candidatar e não ter nenhum voto e o
pior: perceber que ele, enquanto candidato, na opinião da massa, não faz jus ao
cargo (rs); * analisar perfis/posturas de candidatos, pois eles nos dizem
muito. Por exemplo, o que posso pensar de um candidato que, para garantir o
voto ou proclamar sua campanha (visual/boca-boca), abastece tanques de gasolina
de carros, adesivam carros alheios e/ou doam coisinhas por aí!? Se eles já
fazem isso antes - burlam a regra! - imagine do que são capazes quando os
cofres forem públicos e deles possuírem o domínio; * Perceber que ser
bonitinho, cheirosinho, amigo de todos, popular, não são perfis suficientes
para a ocupação de determinado cargo. Afinal, não se faz política só de
alianças populares e famosas, tem que ter conteúdo, visão (essa está bastante
próxima do nível cognitivo, da inteligência), equilíbrio, direção, educação,
senso de cidadania, laicismo, entre outras coisas. E, ainda, quando eleito,
contar com um grupo de pessoas competentes e aptas para as pastas, enfim, com
potencial perfil profissional em todos os seguimentos empregativos. Daí já
solucionamos, também, o problema de ter de esperar fulano ser eleito para colocar
alguém da minha família no serviço, porque essa pessoa é competente e
profissional no que faz, não precisa disso. Será contratada!; * praticar a boa
vizinhança sempre e parar de brigar, pois o que vimos de eleitores que trocaram
tapas por candidatos que, hoje, estão coligados não é brincadeira; por fim, *entender,
de fato, que benefícios públicos direcionados a você não são “boa vontade” de certos
candidatos/políticos assistencialistas, as benfeitorias realizadas pelo poder
público não passam de obrigações, porque você é um cidadão que paga impostos e
possui direitos.
14 agosto 2012
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